
Verão quente: 'Quem Está No Comando?'

Verão quente: 'Quem Está No Comando?'
À medida que as empresas reduzem os cargos de chefia e os colaboradores mais experientes vão de férias, são os trabalhadores mais recentes que acabam por assumir o comando neste verão.
Durante décadas, os quadros intermédios asseguraram o funcionamento das operações enquanto os seus superiores estavam de férias. Naturalmente, havia momentos em que os colaboradores da linha da frente tinham de decidir a quem recorrer enquanto o diretor desfrutava do seu descanso. Felizmente, existia quase sempre um gestor disponível para apoiar. Mas, no verão de 2026, quem está realmente ao leme?
Com o aumento das contratações, um número crescente de empresas está a confiar responsabilidades de gestão ou decisões importantes a colaboradores recém-chegados ou com pouca experiência. E este não tem sido propriamente um verão tranquilo. Entre conflitos internacionais, a rápida evolução da Inteligência Artificial e outras disrupções, os desafios multiplicam-se. Perante este cenário, o que deve fazer um novo colaborador?
O risco é que os recém-contratados se sintam isolados, sem apoio e hesitem em tomar decisões quando os líderes estão ausentes.
De acordo com o Bureau of Labor Statistics, a economia norte-americana criou cerca de 560 mil novos postos de trabalho entre março e maio. Como ainda não acumularam dias de férias suficientes, muitos destes novos colaboradores passam o primeiro verão no escritório, enquanto os colegas com mais antiguidade usufruem de férias prolongadas.
Ao mesmo tempo, uma vaga de redução de cargos de chefia deixou muitas organizações com estruturas de gestão mais leves. Segundo estudos, 41% dos colaboradores afirmam que as suas empresas reduziram significativamente os níveis de gestão e 37% dizem sentir-se atualmente "sem rumo".
Os especialistas explicam que a maioria dos gestores prepara devidamente as tarefas e os projetos antes de sair de férias, mas nem sempre define claramente quem fica responsável pela tomada de decisões.
O resultado é previsível: decisões adiadas, dúvidas sem resposta e projetos que perdem ritmo. Os projetos acabam por ficar bloqueados e atrasam-se.
Em muitos casos, os líderes ausentam-se sem estabelecer prioridades claras para quem permanece, obrigando os novos colaboradores a acumularem as suas responsabilidades habituais com as tarefas dos colegas ou gestores que estão de férias. Definir prioridades torna-se, assim, um verdadeiro desafio. Por isso, recomenda-se que os líderes deleguem autoridade de forma explícita, dando autonomia às equipas e identificando claramente quem deve ser contactado sempre que surjam decisões complexas ou problemas inesperados.
Pode sugerir-se, recorrer a uma prática amplamente utilizada no contexto militar: definir objetivos finais claros antes da ausência. Em vez de controlar todas as etapas do trabalho, o líder estabelece os resultados concretos que espera encontrar quando regressar.
Por exemplo, pode pedir que a equipa prepare uma lista de dez candidatos para uma determinada função, pronta para entrevistas após o seu regresso. São objetivos concretos, com indicadores claros, que não exigem microgestão durante a ausência do gestor. Desta forma, todos sabem exatamente quais são as prioridades.
Os especialistas defendem ainda um planeamento muito mais cuidadoso das ausências do que acontecia no passado. Numa altura em que existem menos níveis de gestão, já não é possível contar que alguém redistribua automaticamente o trabalho quando um responsável entra de férias. Hoje é essencial garantir uma cobertura eficaz e preparar sempre um Plano A e um Plano B, idealmente.
Apesar dos desafios, esta nova realidade também representa uma oportunidade para os colaboradores mais recentes. Assumir responsabilidades, representar a equipa em reuniões ou liderar partes importantes de projetos pode acelerar significativamente o seu desenvolvimento profissional.
No entanto, isso só acontece quando existe confiança, orientação e apoio adequados.
Em vez de sentirem que o trabalho lhes está simplesmente a ser imposto, este verão pode transformar-se numa oportunidade única de crescimento e desenvolvimento pessoal e profissional.